Privatização da Fafen: mais um ativo estratégico da Petrobrás que se vai

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A Petrobrás anunciou no 11 de setembro a privatização das Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) de Araucária e a de Três Lagoas.
Nessa fase do processo a companhia oferece ao mercado o ativo e a empresa interessada envia proposta de compra.
A nova diretoria da companhia, comandada por Pedro Parente, tem a missão de retirar a Petrobrás da produção de fertilizantes.

Fafen Araucária

A Araucária Nitrogenados utiliza resíduo asfáltico da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) para produzir até 1.303 toneladas por dia de amônia e 1.975 t/dia de ureia, além de 450 m³/dia do Agente Redutor Líquido Automotivo (ARLA 32), 200 t/dia de gás carbônico e 75 t/dia de carbono peletizado.
A Araucária Nitrogenados já esteve sob a administração privada. A unidade, inaugurada em 1982, foi privatizada em 1993. Em 2013 voltou a ser uma subsidiária integral da Petrobrás, após uma transação comercial com a Vale Fertilizantes.
Privatização-da-Fafen
Araucária Nitrogenados

Fafen Três Lagoas

A Fafen Três Lagoas (UFN-III) ainda não entrou em operação. As obras foram paralisadas em dezembro de 2014, por conta da operação Lava Jato. A construção já estava com 80% concluída.
O projeto da UFN-III prevê a utilização de 2,2 milhões m³/dia de Gás natural como matéria prima e terá capacidade para produzir 2.200 toneladas/dia de amônia e de 3.600 ton/dia de ureia. A planta liberará 290 ton/dia de CO2.

Importância das Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados

A Amônia e a Ureia são utilizadas em larga escala pela agricultura no preparo de adubo sendo o Brasil importador desses insumos. Cerca de 70% dos fertilizantes nitrogenados é importada de países como a Rússia e os EUA. A Petrobrás é responsável por 60% da produção nacional.
Aplicação de fertilizante na lavoura
Aplicação de fertilizante na lavoura
Os campos do pré-sal têm uma alta taxa de produção de Gás Natural. Como a curva do consumo interno de gás natural não conseguirá acompanhar o crescimento da produção do pré-sal, uma das alternativas para escoar a produção é transformá-la em fertilizantes que, além de agregar valor ao Gás Natural, contribuirá para diminuir nossa dependência externa. Com isso a Fafen de Três Lagoas cumpriria outro papel estratégico dentro da companhia.

O processo de desinvestimento compromete o caixa da Petrobrás

A Petrobrás está abrindo mão de ativos lucrativos que gerariam caixa ao longo do tempo, como as áreas do pré-sal, os gasodutos, as termoelétricas e as fábricas de fertilizantes para reduzir suas dívidas, mas o montante arrecadado são insignificantes em relação a sua dívida, são ações para atender ao mercado, sem compreender a visão de uma empresa de energia integrada e indutora de desenvolvimento.
Aos poucos a atual direção da Petrobrás entrega o patrimônio construído em seus 64 anos, e após a privatização das Fafens o próximo passo do desmonte serão as refinarias.

Resistir é preciso

Portanto, o discurso de reconstrução da Petrobrás feito por Pedro Parente não passa de retórica. Na prática, seu plano desintegra toda a companhia e o seu real objetivo é a privatização. Ele se utiliza de um método perverso: desvaloriza seus ativos nos balanços contábeis (os sucessivos impairment) para dar o golpe fatal e liquidar tudo.
Esclarecer as inverdades ditas por Pedro Parente e mostrar que é possível superar o alto endividamento da Petrobrás sem vender ativos estratégicos, como sugere Felipe Coutinho, presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET) em seu artigo “Existe alternativa para reduzir a dívida da Petrobrás sem vender seus ativos”, será uma tarefa árdua, na contramão da mídia hegemônica. Mas o espírito nacionalista da campanha “O Petróleo é Nosso”, que deu origem `a Petrobrás, será o combustível para manter acesa a chama da resistência.
Visão Petroleira – Por: Steve Austin

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